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    Home»Finanças»Crédito é apontado como vilão do endividamento do brasileiro
    Finanças

    Crédito é apontado como vilão do endividamento do brasileiro

    Novo limite para taxa de juros rotativo pretende diminuir encargos para consumidores e facilitar uso responsável do cartão.
    By Redação Abadia Noticia01/02/20246 Mins Read
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    O cartão de crédito é a principal causa de endividamento dos brasileiros. A falta de gerenciamento dos gastos aliada à cobrança excessiva de juros são apontadas como os principais fatores responsáveis pelo comprometimento do orçamento das famílias. Por conta disso, o Comitê Monetário Nacional (CMN) criou novas regras para a taxa de juros do rotativo, em vigor desde o último dia 3 de janeiro. 

    Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Offerwise, em 2023, revelou que mais da metade dos participantes (55%) não faziam o controle mensal do uso do cartão de crédito.

    Dessa forma, 78% dos entrevistados usaram o rotativo do cartão, modalidade de crédito ativada de forma automática quando o consumidor não quita o valor integral da fatura. Nesse grupo, 69% informaram que usam o cartão mensalmente, enquanto 23% o utilizam a cada dois ou três meses.

    A preocupação é que o rotativo sempre foi considerado a modalidade de crédito mais cara do Brasil. De acordo com o Banco Central, os juros cobrados chegavam a 431,6% ao ano. No entanto, 80% das pessoas ouvidas pela pesquisa da CNDL, em parceria com o SPC e a Offerwise, disseram não ter ideia de qual era a taxa de juros cobrada no rotativo do cartão.

    A desinformação, a falta de controle do uso do cartão e os altos juros favorecem o endividamento. De acordo com os dados da Serasa, o país tem mais de 70 milhões de pessoas inadimplentes.

    Nova regra para juros do rotativo

    Diante disso, o CMN determinou o limite de 100% para as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito. Dessa forma, a quantia cobrada em juros no rotativo pelos bancos não poderá ultrapassar o valor original da dívida. A medida foi anunciada em dezembro e já está em vigor. 

    Na prática, isso significa que se a dívida for de R$ 2 mil, o débito total, incluindo juros e encargos, não poderá exceder R$ 4 mil. O Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), contudo, não fará parte do cálculo. 

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que faz parte do CMN, confirmou a informação junto à ministra do Planejamento, Simone Tebet, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. 

    O usuário do cartão de crédito entra no rotativo quando não paga a fatura total e passa a dívida para o mês seguinte. Assim, se depois de 30 dias, o restante da fatura não for quitado, os bancos e as instituições financeiras devem oferecer uma alternativa de parcelamento, com juros menores.

    Educação financeira é aliada contra o endividamento

    Para o educador financeiro Fernando Lamounier, a educação financeira é a solução para evitar o endividamento. Em entrevista à imprensa, o especialista declarou que é preciso conscientizar as pessoas para que elas estejam atentas aos seus gastos e façam o planejamento antes de realizar grandes projetos. 

    O especialista pontua que as aquisições por impulso são o maior erro do consumidor, que deixa de colocar a dívida em perspectiva de longo prazo. Nesse sentido, afirma que a falta de conscientização abre brechas para gastos desnecessários.

    Para desfrutar de uma vida financeira equilibrada e não entrar no vermelho, ele aconselha mapear a renda total, esquematizar as despesas variáveis, organizar as dívidas e separar os gastos fixos no orçamento. Além disso, economizar o valor de compras que seriam feitas por impulso e usar o dinheiro para investir é uma forma de aumentar a renda.

    O mercado financeiro oferece produtos em renda fixa e renda variável. Na primeira categoria estão os títulos públicos, os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as Letras de Crédito Agrícola (LCAs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Já o segundo grupo reúne ações, ETFs, fundos imobiliários, criptomoedas, entre outros. A orientação é estudar cada produto, compreendendo características como segurança, rentabilidade e liquidez, para fazer a melhor escolha.

    Dicas para o uso do cartão

    Voltada para os investimentos, a Bolsa de Valores (B3) também reúne orientações sobre educação financeira em seu portal, incluindo dicas para o melhor uso do cartão de crédito. A primeira recomendação é conhecer os próprios limites para ter controle das finanças.

    O ideal é que a fatura do cartão não comprometa uma porcentagem maior do que 40% do orçamento mensal de uma pessoa. Isso porque não se deve esquecer de outros boletos, como as contas de água, luz, aluguel, internet, entre outros. 

    Definir metas é uma saída para colocar o plano em prática. Nesse sentido, a recomendação é estabelecer o valor máximo para cada tipo de gasto e, quando a fatura chegar, verificar se as quantias estão de acordo com o limite. Caso não esteja, será preciso fazer cortes e ter mais atenção no mês seguinte. 

    Quando o assunto é evitar gastar desenfreadamente em múltiplos cartões, a recomendação é para que os consumidores tenham dois cartões de crédito, no máximo. Isso porque apenas um pode acabar deixando o usuário na mão, em caso de eventuais fraudes e bloqueios.

    Ainda sobre fraudes, a B3 reforça a importância de conferir as despesas. No momento em que a fatura chegar, é preciso revisá-la com atenção para certificar-se de que todas as transações estão dentro dos conformes e que não há cobranças que não foram autorizadas. 

    O que os brasileiros estão comprando no crédito?

    Entre os principais gastos dos brasileiros com o cartão de crédito estão a compra de roupas, calçados e acessórios (58%); seguido de remédios (47%); supermercado ( 44%); e eletrodomésticos (43%), conforme os dados da pesquisa da CNDL, em parceria com o SPC Brasil e a Offerwise.

    Em relação aos benefícios em utilizar o meio de pagamento, 48% dos consumidores dizem que o poder de parcelar as compras é o principal motivo. Em seguida estão o prazo para pagamento, importante para 40%; a possibilidade de comprar on-line, citada por 36%; e a oportunidade de comprar mesmo estando sem dinheiro, vantagem mencionada por 30% dos participantes ouvidos pelo estudo.

    Por outro lado, 31% das pessoas não usam essa forma de pagamento pela preferência por pagar à vista, seguido de 19% que afirmam não possuir um cartão e outros 19% que acham arriscado comprar por impulso.

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